• Redação
  • 3 de Junho de 2026
  • Anvisa
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O Conselho Federal de Medicina (CFM) anunciou na última sexta-feira (29) a proibição do uso de PMMA (polimetilmetacrilato) como substância preenchedora em procedimentos estéticos e reparadores realizados por médicos em todo o Brasil. A medida entra em vigor nesta terça-feira (2), com publicação no Diário Oficial.


A única exceção prevista é o uso do PMMA no tratamento de lipodistrofia em pacientes com HIV/Aids, restrito a unidades de alta complexidade credenciadas pelo SUS e seguindo os protocolos do Ministério da Saúde.


O que é o PMMA e por que ele preocupa

O PMMA é uma substância sintética composta por microesferas suspensas em gel, utilizada como preenchedor permanente. Originalmente indicado para correção de deformidades e reconstrução de tecidos, passou a ser amplamente adotado em procedimentos estéticos para aumento de volume em áreas como glúteos e rosto — uso que entidades médicas já criticavam há anos pelos riscos de complicações graves e pela dificuldade de remoção.


A morte que acelerou a decisão

A proibição vem na esteira da morte da maquiadora Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira, 48 anos, ocorrida em 26 de maio em São Paulo. Ela passou por um procedimento de remodelação de glúteos e coxas com 300 ml de PMMA — o máximo então permitido por sessão — em uma clínica no Brooklin, zona sul da capital.


No dia seguinte, começou a apresentar dores, fraqueza e chiado no peito. Orientada pela médica responsável a retornar à clínica para avaliação, chegou ao local inconsciente, transportada por aplicativo, onde teve a morte constatada. A Polícia Civil investiga o caso como homicídio. A defesa da médica nega relação entre o procedimento e o óbito.


Um histórico de alertas ignorados

O caso de Roseli não é isolado. Em 2020, a influenciadora Mariana Michelini perdeu o lábio superior após preenchimento com PMMA — ela afirmou que acreditava que seria usado ácido hialurônico. Neste ano, Maíra Cardi revelou estar com o rosto deformado e risco de necrose por PMMA, tendo passado por cirurgia para remoção da substância.


A Sociedade Brasileira de Dermatologia, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e o próprio CFM já pediam à Anvisa a proibição total do produto. A agência, no entanto, afirmou em março que o PMMA é aceitável quando usado conforme as indicações aprovadas e em condições adequadas — e até agora não proibiu o comércio da substância. A decisão do CFM, portanto, vincula apenas médicos.